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Por que é tão distante a relação governo-sociedade? (1)

Por que aqueles que elegemos não mais nos procuram depois de eleitos?

Última atualização: 22 Mai 2018 - 14:36   


SÉRGIO LUIZ DE OLIVEIRA VILELA
PhD em Ciências Sociais e Pesquisador da Embrapa.

Estamos habituados, nas sociedades antidemocráticas ou de democracias frágeis, a conviver em condições de profundo e contraditório distanciamento entre os governos e a sociedade civil. Quantos de nós não está cansado de ver pessoas candidatarem-se a ser nossos representantes, prometerem nos representar com a máxima fidelidade e, depois, sumirem no “árido” cotidiano do exercício do poder? Por que aqueles que elegemos não mais nos procuram depois de eleitos? Por que não atendem mais os seus telefones móveis? Como vão nos representar se não sabem o que pensamos, se não sabem do que precisamos, se não mais nos recebem para conhecer nossas demandas quando os procuramos?

Relação Governo Sociedade

Estas perguntas só podem ser respondidas na perspectiva de uma inversão da concepção do papel do Estado na sociedade. O Estado como mediador de interesses conflitantes das classes sociais precisa funcionar como um meio e um instrumento de busca do equilíbrio social. No entanto, tornou-se um espaço de poder extremamente poderoso, inclusive, detendo a legitimidade social do monopólio da força. Em outras palavras, o aparelho de Estado é autorizado pela própria sociedade a usar a força e a violência para controlar conflitos, o que não raramente termina na defesa de interesses de grupos sociais específicos e privilegiados. Ao mesmo tempo, é o gestor das contribuições financeiros obrigatórias (os impostos) pagas pela sociedade. A gestão deste bolo financeiro, invariavelmente, acaba favorecendo quem já tem muito poder no âmbito do aparelho do Estado. São grupos econômicos que garantem as condições da eleição daqueles candidatos que se comprometem com os interesses destas corporações na divisão do bolo tributário.

Aí residem causas do distanciamento de gestores públicos da parte mais numerosa, porém, menos poderosa da sociedade. Em outras palavras, uma significativa maioria de eleitores elegem representantes que passarão a exercer o poder em benefício de uma minoria detentora da maior parte das riquezas e do poder econômico. Constitui-se, assim, um círculo vicioso, a partir do qual, o poder econômico financia seus representantes que se elegem com uma maioria dos votos oriundos dos que não detêm poder econômico e passam a atuar no campo das políticas públicas para favorecer quem já é favorecido e poderoso por circunstâncias históricas.

Em meio a este caos sociopolítico, as câmaras setoriais, este importante instrumento de negociação entre governo e setores da sociedade civil, propõe -se a criar condições para participação efetiva da sociedade em definições de políticas públicas. Tal mecanismo permite que lideranças representantes da sociedade civil interajam com gestores públicos, propondo e cobrando a implementação de políticas e ações voltadas para determinados setores da economia. Com isso, a distância entre representantes e representados diminui, possibilitando um aperfeiçoamento e uma mais justa utilização dos recursos financeiros gerenciados pelos governos. Devido aos limites deste espaço, em um próximo artigo tratarei mais detalhadamente das câmaras setoriais, esclarecendo sobre seus objetivos, sua composição e seu funcionamento.

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