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Saúde Por: Redação Rede Piauí Repórter 04 Jun 2018 18:04 Rede Piauí de Notícias

74% dos brasileiros que sentem dores insuportáveis não têm acesso aos medicamentos adequados

O consumo de morfina no Brasil é muito baixo quando comparado a países tidos como modelos internacionais no cuidado paliativo, como Inglaterra e Alemanha.


De acordo com dados estimados por uma comissão de cientistas formada pela Lancet – importante periódico médico – 74% das 1,2 milhões de pessoas do Brasil que sentem dores insuportáveis não têm acesso aos médicados necessários para aplacá-las – especialmente opioides como a morfina.

Os opioides são medicamentos derivados da papoula - planta que também é a base de produção do ópio. Eles estimulam receptores no cérebro e geram um poderoso alívio da dor. Além disso, reduzem a ansiedade e a depressão que costumam acompanhar episódios de dor intensa.

Segundo o estudo publicado na Lancet, os países em desenvolvimento enfrentam dificuldades para adquirir os medicamentos, pois há uma desigualdade no acesso. Das 300 toneladas de opioides distribuídas por ano, uma quantidade insignificante de 0,1 tonelada vai para países de baixa renda.

O consumo de morfina no Brasil é muito baixo quando comparado a países tidos como modelos internacionais no cuidado paliativo, como Inglaterra e Alemanha. Segundo a Internacional Control Board, seriam 3 mg per capita no Brasil, contra cerca de 20 mg nesses países.

Para a médica Maria Goretti Sales Maciel, diretora do serviço de cuidados paliativos do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo, isso significa que muita gente tem dor no Brasil e não consegue ser medicada. A maioria dessas pessoas são pacientes com câncer avançado.

A médica também explicou que o problema no Brasil não é falta de medicamentos, mas a dificuldade de fazê-los chegar aos pacientes. "O SUS disponibiliza opioides, como morfina, metadona e codeína. Só a morfina e metadona resolvem 98% dos problemas da dor. Mas, apesar de serem disponibilizados pelo SUS e de serem muito baratos, o acesso a esses medicamentos é muito difícil. A gente tem a faca e o queijo na mão, mas não sabe cortar", explicou a médica.



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