Redes Sociais: Intolerância à pessoas com deficiência supera 90%

Em 2016, o maior índice de intolerância esteve relacionado ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff

01/04/2018 - 07h02 - atualizado 02/04/2018 - 15h48

Um levantamento feito pela agência Nova/SB através do Dossiê das Intolerâncias nas Redes revelou  que cerca de 90,1% dos 45.873 comentários foram feitos de forma maldosa à pessoas com deficiência.  Este é o segundo monitoramento aos comentários nas redes sociais em 2017 entre os meses de julho a setembro de 2017.

 A maioria dos comentários negativos não são considerados como ofensa direta às pessoas com deficiência, mas utilizado de forma pejorativa à outras pessoas que por vezes eram chamados de "demente", "retardato" ou mesmo "down". "As pessoas não percebem que quando elas estão usando este tipo de xingamento, isso pode ser ofensivo a outras pessoas que têm esse tipo de deficiência, pessoas próximas. [...] É um tipo diferente de intolerância porque você usa uma carcaterística para atingir o outro.", pontua Marcelo Nascimento, membro do coletivo Comunica que Muda.

Para o psicanalista Contardo Calligaris, as redes sociais permitem que as pessoas demonstrem seus ódios e outras pessoas validam esse sentimento. "As redes sociais produzem uma espécie de validação do seu ódio que era muito mais difícil antes de elas existirem e se tornarem tão importantes na vida das pessoas.” conclui.


A brasileira Day McCarthy foi bastnte criticada por se pronunciar contra filhos de famosos / Crédito: Reprodução de Internet

Além de menções em relação às pessoas com deficiência, o dossiê revelou que no caso da homofobia, surgiram 29 mil menções, sendo 38% positivas ante 60% negativas. O que se verificou foi que houve um positivo de 30% das participações se comparada ao ano anterior. Nesse sentido, as mulheres estão tendo um papel fundamental no combate a esse tipo de preconceito: elas representaram 63,8% contra 36,2% dos homens.

Outros destaques onde houve a diminuição de participação negativa (com o aumento da positiva) foram nos temas classe social, passando de 94,8% para 61,2%, e xenofobia, de 84,8% para 50,3%.