A Câmara Setorial da Biotecnologia

O Estado do Piauí já ocupa lugar de destaque na cadeia produtiva da Biotecnologia brasileira.

Última atualização: 17 Jan 2019 - 22:49   


Entre as 25 câmaras setoriais, a da Biotecnologia é a mais nova. Foi criada há pouco mais de 3 meses e acaba de concluir sua proposta de Programa Estadual para o Desenvolvimento da Biotecnologia a ser apresentado ao governador do Estado. A sociedade piauiense pouco está informada sobre o desenvolvimento da Biotecnologia no nosso Estado. Quando falamos nesta área de conhecimento estamos nos referindo, principalmente, à produção de medicamentos fitoterápicos (à base de vegetais), em escala industrial, visando a ampliação das opções terapêuticas para os usuários de medicamentos farmacêuticos, seja no Sistema Único de Saúde, seja através de outras fontes privadas. Também decorre da indústria biotecnológica uma gama de matérias-primas químicas e biológicas que são usados como componentes de produtos industriais acabados. Outros objetivos também são atingidos quando a economia da Biotecnologia de desenvolve em um determinado território, como a valorização e preservação do conhecimento de comunidades e povos tradicionais e a preservação da biodiversidade.

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O Estado do Piauí já ocupa lugar de destaque na cadeia produtiva da Biotecnologia brasileira. Um dos cinco mais importantes produtos de exportação estadual é a pilocarpina, substância extraída da planta Jaborandi. Outro produto de destaque na balança comercial estadual é a cera da carnauba, produtos estes de múltiplos usos, tanto na indústria farmacêutica quanto em outros ramos industriais. É também no Estado do Piauí que está instalada uma das maiores indústrias biotecnológicas do País, a Centroflora, com forte atuação no mercado internacional. Estes dados indicam que só estava faltando a criação da câmara setorial para congregar todos os elos da cadeia produtiva e indicar os rumos para o desenvolvimento deste setor.

A proposta de Programa Estadual para o Desenvolvimento da Biotecnologia contempla quatro prioridades:
(1) definição de arcabouço regulatório para o uso do canabidiol (substância derivada da maconha) em pesquisas no Estado, bem como o enquadramento dos laboratórios das Instituições de Ensino Superior (IES) na Rede Brasileira de Laboratórios Analíticos em Saúde (REBLAS - Anvisa).
(2) criação do Centro Estadual de Biotecnologia do Piauí - CEBPI, contemplando um instituto de biotecnologia e um instituto de química;
(3) definição de quatro produtos prioritários a serem explorados através pesquisa, desenvolvimento e inovação, bem como comercialmente. São eles: Canabinoides (derivados da maconha), Bromelina, Cera de Carnaúba e Goma de Caju. Produtos que possuem substâncias usadas em amplo espectro de produtos industriais, inclusive na indústria farmacêutica.
(4) estabelecer uma previsão orçamentária e financeira para a realização das prioridades definidas no Programa Estadual para o Desenvolvimento da Biotecnologia, tais como recursos para o desenvolvimento de pesquisas, instalação do Centro Estadual da Biotecnologia e apoio ao desenvolvimento industrial.

No âmbito destas quatro prioridades um amplo conjunto de ações e desdobramentos estão contemplados, não sendo possível detalhar no espaço deste artigo. Enfim, é mais um setor da economia estadual que define uma plataforma programática para o seu desenvolvimento.