A Câmara Setorial da Fruticultura

Se há, no Nordeste brasileiro, um estado rico para a atividade da fruticultura, este é o Estado do Piauí.

Última atualização: 16 Dez 2018 - 11:23   


Se há, no Nordeste brasileiro, um estado rico para a atividade da fruticultura, este é o Estado do Piauí. Seu território atinge 252 mil quilômetros quadrados de extensão onde estão abrigados dez diferentes ecossistemas, dentre os quais destaco o semi-árido, o cerrado, os cocais, os tabuleiros costeiros e varias transições entre estes. Em todos estes ecossistemas encontra-se água de superfície ou subterrânea, em volumes suficientes para a produção irrigada de frutas, inclusive no semi-árido. Chama a atenção, na atualidade, o deslocamento, para o Piauí, de produtores de outros estados nordestinos, notadamente do Ceará, Pernambuco e Bahia, em busca de terra e principalmente de água, para manterem suas atividades empresariais severamente prejudicadas pela seca dos últimos anos ocorrida no Nordeste.

No Piauí, subsiste, há alguns anos, atividades de fruticultura em perímetros irrigados, em maior escala, e em áreas de sequeiro, em menor escala. No entanto, o Estado ainda é um grande importador de frutas oriundas principalmente de Pernambuco, Bahia e Ceará, apesar de este último possuir quase cem porcento do seu território encravado no ecossistema semi-árido. A atividade da fruticultura de sequeiro no Piauí é basicamente destinada aos mercados locais, ao contrário da fruticultura irrigada, cuja produção é majoritariamente exportada para outros estados, a exemplo da banana produzida nos platôs de Guadalupe (município de Guadalupe) e a Acerola nos Tabuleiros Litorâneos (município de Parnaíba).

Novas fronteiras produtivas têm surgido nos últimos anos. Destacam-se entre elas os territórios de desenvolvimento Vale do Canindé e Serra da Capivara, situados no semi-árido piauiense. Importantes iniciativas e investimentos de produtores locais e de produtores recém chegados de outros estados têm impulsionado a fruticultura nesses territórios, gerando expectativas muito positivas para as economias locais, com destaque para os municípios de Conceicão do Canindé, Simplício Mendes, Isaías Coelho, Oeiras e São João do Piauí. São diversas e espalhadas as iniciativas na área da fruticultura em todo o Estado do Piauí, o que torna imperativo uma proposição planejada e sistemática de políticas públicas para este tão importante e promissor setor da nossa economia.

As câmaras setoriais estadual e territorial da fruticultura têm desenvolvido um amplo e coordenado debate que visa identificar os fatores limitantes e propor intervenções e parcerias que sejam capazes de removê-los. Dentre os entraves, destaco a inexistência ou precariedade da infraestrutura de irrigação nos territórios frutícolas mais dinâmicos, o alto custo da energia elétrica, o baixo nível tecnológico utilizado pelos produtores, a precária atuação do setor público no controle sanitário vegetal e o precário serviço de assistência técnica pública, onde existe. Estes entraves foram definidos como prioritários pela câmara setorial e estão sendo estudados com o objetivo de definição das melhores maneiras de equacionamento. 

É importante destacar que as responsabilidades são multi esféricas tendo em vista que os perímetros irrigados Platôs de Guadalupe e Tabuleiros Litorâneos estão vinculados a instituições públicas federais (DNOCS), assim como existem perímetros irrigados de responsabilidade estadual, além da responsabilidade, também estadual, de formulação e proposição de políticas que busquem desenvolver o setor da fruticultura como um todo, englobando aspectos de infraestrutura, tecnologia, assistência técnica e defesa agropecuária.

Pôde-se facilmente inferir do quadro sinteticamente descrito acima, que estamos diante de uma das mais promissoras atividades econômicas do Estado do Piauí. Mas também é patente a precariedade das políticas públicas voltadas ao desenvolvimento deste setor no âmbito estadual e o baixo acúmulo de capital social por parte da iniciativa privada, até agora desprovida de um mínimo de organização associativa, cooperativa ou sindical que possa vir a tomar as rédeas do destino da fruticultura. Um grande desafio para o setor público e para o setor privado está lançado. É a unidade esforços e as parcerias que encurtarão os caminhos.