A Câmara Setorial do Alho

A produção de alho no Estado do Piauí remonta a décadas, tendo seu auge nos anos 70 e 80.

Última atualização: 17 Jan 2019 - 22:54   


A produção de alho no Estado do Piauí remonta a décadas, tendo seu auge nos anos 70 e 80. A partir dos anos 90, os produtores piauienses mantiveram níveis tecnológicos obsoletos enquanto outras regiões produtoras no Brasil passaram a incorporar altos níveis de tecnologia. Este fator foi um dos maiores responsáveis pela quase extinção da cultura do alho no Piauí. A obsolescência tecnológica tornou a cultura vulnerável a pragas e doenças (principalmente vírus) e intolerante a intempéries climáticas (principalmente a seca). Atualmente, quase todo o alho consumido no Piauí é importado de outros estados.

Recentemente, graças a esforços individuais de pequenos produtores e do apoio do ex-presidente da Federação da Agricultura do Estado do Piauí (Faepi), Carlos Augusto Carneiro da Cunha (Caú) - “in memoriam” - e de novas tecnologias desenvolvidas pela Embrapa para a produção de alho livre de vírus, a atividade produtiva foi retomada no Piauí. O engajamento dos produtores levou à criação da Associação Piauiense dos Produtores de Alho (APPA), entidade que coordena todas as ações de apoio aos produtores.

Atualmente, o alho já é plantado em aproximadamente 15 municípios da região semiárida e em Pedro II. São 184 produtores cadastrados pela APPA. Na safra 2018, no entanto, devido à falta de apoio para assistência técnica, apenas 78 produtores conseguiram plantar. Mesmo assim, tendo em vista um processo de revitalização da atividade no Piauí, esse número já pode ser considerado significativo ainda mais pelo fato de estes produtores estarem usando recursos próprios para financiar a atividade. Os bancos não dispõem de linhas de crédito para a cultura do alho por causa da inexistência de zoneamento agroclimático.

Este processo de revitalização da cultura exige experimentação de variedades e de sistemas de produção para que se possa selecionar as melhores cultivares e os sistemas mais eficientes de manejo da cultura. Atualmente, estão sendo plantaras as cultivares tradicionais Cateto Roxo e Branco Mineiro. Paralelamente, estão sendo sendo feitos ensaios com as novas cultivares Caturra, Gravatá, BRS Hozama e Chinês Real. Um dos grandes avanços tecnológicos foi o desenvolvimento de variedades livres de vírus, principal doença da cultura.

A produtividade média esperada é de 10 kg por metro quadrado. Como na safra 2018 foram plantados 1.580 metros quadrados, Espera-se colher, em todo o estado, em torno de 16.000 kg. Na safra 2017, a produção estadual foi de 10.000 kg.

A distribuição espacial no Brasil tem como principais produtores os estados de Goiás, Distrito Federal e Minas Gerais. No Estado do Piauí, a distribuição espacial da produção envolve os municípios de Picos, Sussuapara, Dom Expedito Lopes, São João da Varjota, Ipiranga, Inhuma, Várzea grande, Oeiras, Simplício Mendes, São João do Piauí, Santo Inácio, Paes Landim, Monsenhor Hipólito, Itainópolis e Pedro II.

A Câmara Setorial do Alho definiu como prioridades: 1- fornecimento de assistência técnica pública (Emater) e oferta de capacitação profissional (Sebrae); 2- perfuração de poços (DNOCS); 3- distribuição de kits de Irrigação (Coordenadoria de Irrigação e SDR); 4- zoneamento Agroclimático (Ministério da Agricultura e Embrapa); 5-  definição de linhas de crédito (bancos oficiais e agência estadual de fomento). A superação destes, relativamente pequenos, entraves criará condições de rápida revitalização, crescimento e dinamização de uma importante atividade econômica geradora de emprego e renda em uma importante região do Estado, caracterizada pelo ecossistema semiárido. De qualquer modo, o esforço da iniciativa privada, também neste caso, já permite vislumbrar dias melhores para a economia estadual, notadamente na cultura do alho.