A Câmara Setorial do Agronegócio

Ostentando números extremamente significativos da sua importância na economia brasileira, o agronegócio escreve uma história de sucesso

Última atualização: 10 Jun 2019 - 18:30   


Para efeitos deste artigo, o agronegócio é aqui definido como atividade de produção de soja e milho (embora saiba-se que são muitas as atividades produtivas deste setor).

Ostentando números extremamente significativos da sua importância na economia brasileira, o agronegócio escreve uma história de sucesso, mas também de muita bravura dos produtores que, com sangue europeu, desbravaram terras até então impróprias para o cultivo de grãos e leguminosas em todo o país, situando o Brasil entre os líderes na produção e no comércio de soja e de milho.

Agronegócio no Piauí

No Estado do Piauí tudo começou há três décadas da mesma maneira que nos estados do centro-oeste brasileiro, quando sulistas (chamados de gaúchos) subiram em direção ao norte e foram conquistando espaços produtivos onde existiam ecossistemas de cerrado. No Piauí tudo se iniciou e se desenvolveu na região sudoeste do estado e, hoje, já se encontram expansões para a região norte do Piauí. Sempre com dificuldades, afinal nada na vida costuma ser fácil, os produtores do cerrado piauiense lutam para ampliar as áreas ocupadas e a produtividade das lavouras a partir do investimento em tecnologias modernas. 

A Câmara Setorial do Agronegócio reúne as principais entidades representativas dos segmentos produtivos e as principais lideranças setoriais que, ao lado dos órgãos públicos federais, estaduais e municipais, busca reduzir os principais entraves ao processo de melhoria da eficiência técnica e econômica do setor. 

Dentre as prioridades elencadas pela câmara setorial, coloco em destaque: (1) segurança pública nas áreas rurais visando reduzir roubos e furtos às propriedades rurais, que visam o alto valor dos insumos adquiridos pelos produtores; (2) regularização fundiária das propriedades rurais já que a maioria dos produtores convive com situações de insegurança jurídica e dificuldades de relacionamento com instituições financeiras que fornecem crédito para a produção;
(3) Melhoria da infraestrutura rodoviária nas áreas produtivas para mitigar os custos de produção ao longo da cadeia produtiva e agilizar o escoamento das safras de grãos; (4) ampliação da infraestrutura de fornecimento de energia elétrica na região sudoeste do estado visando a atração de agroindústrias processadoras de grãos e carnes, o que permitirá agregação de valor à matéria-prima e consequente elevação dos resultados financeiros dos produtores. 

Certamente, outros tópicos são fundamentais, como agilidade na prestação de serviços cartoriais, agilidade na concessão de crédito pelos bancos oficiais e programas sistemáticos de controle de pragas e doenças. Mas os quatro itens numerados acima são os prioritários neste momento.

Mais uma vez, a crise fiscal que assola os estados brasileiros e o governo federal, fez com que expectativas de conclusão de grandes obras, como a rodovia PI 397 (Transcerrado), fosse transferido para o futuro. Neste mesmo diapasão segue a melhoria da infraestrutura de fornecimento de energia elétrica, sob a responsabilidade do governo federal. Também neste item, a luta continua. A questão da regularização fundiária tem sido um tema desafiador para todos os governos que passaram no Estado do Piauí. São grandes os esforços de parte a parte, mas processos historicamente mal conduzidos nas esferas dos poderes executivo, legislativo e judiciário veem atrasando os processos de regularização fundiária das áreas produtivas, o que traz grandes prejuízos a todos os interessados, seja na esfera pública, seja na esfera privada. Por fim, o tema da segurança pública está sendo enfrentado a partir de uma parceria entre o governo do Estado e a iniciativa privada, na qual o Estado disponibiliza contingentes de policiais e os produtores oferecem apoio logístico para atuação das forças policiais. Já se pode observar resultados positivos desta parceria com a diminuição dos casos de violência nas áreas objeto da atuação destas forças especiais.

Não há dúvidas que muito tem que ser feito e volumes importantes de recursos devem ser investidos na região do cerrado piauiense para que o agronegócio continue revolucionando as condições de vida dos municípios da região e da população local, a partir de uma forte dinâmica da economia local, que reflete positivamente na economia Estadual. A Câmara Setorial do Agronegócio, composta por entidades aguerridas que representam os produtores, como a Aprosoja, deve continuar o trabalho desenvolvido na busca de soluções para os fatores limitantes aqui elencados. A luta continua!