A Câmara Setorial da Tecnologia da Informação e Comunicação

Estamos vivendo uma era de verdadeira transformação social e a TIC é fundamental nesse processo.

Última atualização: 16 Mar 2019 - 21:56   


Se é possível falar que vivemos uma nova revolução tecnológica, esta tem por base a tecnologia da informação. A partir desta ciência, um conjunto de transformações têm tornado cada dia mais veloz a modernização de produtos, processos e comportamentos na sociedade contemporânea. Trata-se da ocorrência silenciosa de uma verdadeira transformação social. Do ponto de vista da economia, autores definem por Economia Criativa uma grande parte desta nova indústria do conhecimento. Nenhum lugar do planeta, por mais fechado que seja, está protegido dos impactos desta nova realidade tecnológica. Portanto, também no Estado do Piauí, um importante movimento setorial se desenvolve, há algum tempo, e avança para consolidar esta evolução tendo, como uma das estratégias, a criação da Câmara Setorial da Tecnologia da Informação e Comunicação (CSTIC). A CSTIC proporcionou um espaço de maior articulação do ecossistema de TIC e de maior interação com os agentes públicos em níveis federal, estadual e municipais, responsáveis pela gestão das políticas para o setor.

tecnologia

A CSTIC definiu como prioridades a instalação de três polos de tecnologia no Estado, sendo um em Teresina, um em Picos e outro em Parnaíba. Para esta ação foi demandado um volume de recursos ao Estado como forma de suportar parte dos custos fixos  dos polos tecnológicos por um período de dois anos. Outra prioridade, dentre as elencadas, foi a criação do Marco Legal Estadual da Inovação, que busca a adaptação da legislação federal da inovação à realidade estadual. Além destas, também foi demandada a priorização das empresas locais de TIC nas aquisições de produtos e na prestação de serviços públicos. 

O estabelecimento de relações formais entre o setor e o poder público, no entanto, exigiu a criação de uma Organização Social que ficará responsável pelo estabelecimento de convênios com o Estado visando a gestão de recursos financeiros que vierem, eventualmente, a serem destinados para apoiar o desenvolvimento setorial. Esta organização já foi criada e é denominado Cajuína Tech.

No que diz respeito aos polos tecnológicos, só após a recente criação da Cajuína Tech o setor passou a estar apto a retomar a discussão com o governo do Estado para equacionar a estruturação dos mesmos. A novidade é que o governo do Estado recentemente tomou a iniciativa de criação de um Parque Tecnológico em Teresina, o que, necessariamente, impõe uma rediscussão da estratégia de criação dos polos tecnológicos diante do novo contexto. Fundamentalmente, a CSTIC deve repensar o papel do polos no contexto do Parque.

No tocante ao marco legal da inovação, um longo caminho vem sendo percorrido com idas e vindas na discussão entre a CSTIC e a área jurídica estatal. Questões relativas ao apoio financeiro público aos processos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I), bem como a formação de um órgão colegiado (conselho) responsável pela definição das diretrizes de PD&I, são alguns dos itens que veem emperrando a conclusão do Projeto de Lei que será encaminhado à Assembléia Legislativa do Piauí.

biotecnologia

O item relativo às aquisições públicas de produtos e serviços de TIC é um tema novo que ainda demanda um certo aprofundamento e conhecimento de outras experiências em andamento em outros estados. De todo modo, vem sendo discutido em instâncias diversas, com um forte apoio do Sebrae, por exemplo. 

A novidade mesmo é a deflagração de um processo de discussão para a criação do Parque Tecnológico de Teresina, que envolve um amplo espectro de instituições públicas e privadas, dentre as quais e com destaque, a CSTIC e a Câmara Setorial da Biotecnologia. Trata-se da instalação, de preferência em um mesmo espaço físico, de uma gama variada de instituições públicas vinculadas à ciência & tecnologia e de empresas privadas de base tecnológica, como a chamada indústria 4.0, as  empresas vinculados à “internet das coisas” e as de base biotecnológica, entre outras.  O processo conta com a assessoria de um consultor espanhol considerado um dos maiores experts em parques tecnológicos do mundo e está avançado, já tendo sido assinado um “pacto pela inovação” entre varias instituições, dentre as quais a CSTIC. 

Enfim, diante dos inúmeros novos desafios da humanidade, a tecnologia da informação se coloca como ponto de referência na busca de soluções e tem sido muito exitosa. No Piauí, apesar das inúmeras dificuldades geradas pela crise econômica e fiscal que assola todos os estados brasileiros, a câmara setorial se consolida como um importante ambiente de interação e comunicação do ecossistema de TIC e o setor público. Tudo poderia ser melhor e mais rápido, mas acompanhar e participar da definição dos rumos do setor é inegavelmente uma conquista.