Por que a micro e a minigeração não decolam no Brasil?

Um cenário surreal: País não explora seus índices de insolação por falta de políticas do Estado e boicote das distribuidoras privadas

Última atualização: 08 Dez 2018 - 11:15   


A capacidade instalada no Brasil, levando em conta todos os tipos de usinas que produzem energia elétrica, é da ordem de 132 gigawatts (GW). Deste total menos de 0,5% é produzido com sistemas solares fotovoltaicos (considerando as grandes usinas de micro e minigeração).

Minigeração de energia solar
Imagem ilustrativa de minigeração de energia solar. (Foto: Reprodução).


 
O Brasil é um dos poucos países no mundo que recebe uma insolação (número de horas de brilho do Sol) superior a 3000 horas por ano. E na região Nordeste conta com uma incidência média diária entre 4,5 a 6 kWh.
 
Diante destes dados, por que estamos tão atrasados com todo este potencial? Os gestores do sistema elétrico possuem uma cultura insistente de que a fonte solar é cara, portanto inviável economicamente, quando comparadas com as tradicionais.

Sabemos que o preço e a viabilidade de uma dada fonte energética dependem muito da implementação de políticas públicas, de incentivos, de crédito com baixos juros, de redução de impostos. Enfim, de vontade política para fazer acontecer. Vimos isso há pouco tempo com a energia Eólica nos últimos 15 anos. 

O que precisa para a energia solar fotovoltaica no país deslanchar é apoio, é estímulo. A política energética na área da geração simplesmente não é suficiente para linhas de financiamento, programas estruturados para incentivar a expansão da geração renovável mais democrática e social.

Geração descentralizada — aquela gerada pelos sistemas instalados nos telhados/piso nas residências ou empresa — praticamente não recebe nenhum apoio e consideração governamental. Apesar do enorme interesse que desperta, segundo pesquisas de opinião realizadas.

Os bancos de fomento federal não fazem metas específicas para esta linha de varejo, o que dificulta o bom andamento do programa com relação à linha específica, além da má informação que por muitas vezes tanto o banco quanto o cliente tem um preconceito sobre o elevado custo.

A expansão do sistema tem ocorrido por conscientização da própria população já que possuímos mais de 20 mil ligações nos dias de hoje; o que surpreendeu a própria Aneel em suas projeções mais otimistas.

Fica evidente que persistem obstáculos para uma maior participação da eletricidade solar na matriz elétrica. Para transpor os obstáculos, são necessárias políticas públicas voltadas ao incentivo da energia solar. Por exemplo: a criação, pelos bancos oficiais, meta de crédito para financiamento com juros baixos; a redução de impostos tanto para os equipamentos como para a energia gerada; a possibilidade de utilizar o FGTS para a compra dos equipamentos e mais informação através de propaganda institucional sobre os benefícios e as vantagens da tecnologia solar.

Mas o que também dificulta enormemente a geração descentralizada é a atitude das distribuidoras de energia — que fazem lobby para mudar a resolução para seu benefício, com hoje a análise do projeto inicial de engenharia até a conexão à rede elétrica. Cabe a elas efetuarem a ligação na rede elétrica. Se não bastasse isto as empresas querem vender os kits.

A energia solar pode ser a grande alavanca do crescimento do país, principalmente a descentralizada, considerando que a inclusão no sistema interligado gera ”um alívio” ao sistema o que evitaria futuros apagões e redução no investimento já que o consumidor passa a contribuir com a geração.

Porém analisando as propostas dos presidenciáveis não consegui identificar nenhum plano voltado a energia renovável sendo que a mola do crescimento é a energia na sua essência. Com relação aos governos estaduais só consegui identificar alguns candidatos com interesse nesse desenvolvimento sendo um deles o do Piauí que possui em seu banco de fomento uma linha de financiamento voltado à energia Fotovoltaica.  

No Piauí temos a oportunidade única de acompanhar o crescimento não como coadjuvante e sim como participantes ativos da energia fotovoltaica na terra do sol.